Dietas: cortar, mas com critério!

Texto: Carla Bernardino

A época que aí vem, recheada de refeições longas e em família, pratos fortes e doçaria especial, não convida a dietas. Mas como tomar esta decisão implica sempre alguma preparação psicológica, é tempo de começar os treinos. Afinal, os hábitos alimentares figuram sempre nas listas das resoluções a empreender em início de ano

Quem não faz coincidir a chegada de um novo ano com a definição de metas a nível alimentar que morda agora um pedaço de pão! A verdade é que a opção por viver de forma saudável é uma preocupação crescente e já não há quem olhe para a alimentação sem ponderar muito bem vantagens e desvantagens, benefícios e riscos. Já não está em causa apenas a perda de peso, estão também, e cada vez mais, as afinações aos vários regimes alimentares em prol de uma prometida vida cada vez mais saudável. Sempre com mais ou menos exercício à mistura e com muita água para garantir hidratação.

À boleia de conhecer o que mais se tem falado em matéria de restrições alimentares, fique também por dentro dos riscos que corre cada vez que se propõe a um regime que corta com parte dos nutrientes. E mais: é importante sublinhar que a obsessão pela alimentação estritamente saudável é – também ela – um transtormno alimentar cujo nome merece, desde já, ser decorado: ortorexia.

Se a discussão das calorias, das propriedades dos alimentos, do escrutínio dos nutrientes estão a dominar a conversa de forma recorrente, então isso pode ser um sinal de que se está a pisar a linha de risco. Se o caso for mais longe a ponto de ter dificuldade em ingerir uma refeição confecionada por outra pessoa, levar à perda de peso súbita e acentuada, ou até promover a mudança de hábitos sociais por causa da alimentação, então estes são os sinais vermelhos que devem conduzir a um pedido de ajuda.

Mas definir metas também não faz mal a ninguém. Por isso, aqui fica uma lista das mais badaladas dietas dos últimos tempos para seguir, como sempre, com conta, peso e medida. E já agora, é bom lembrar que não vale castigar ninguém em época de festas.

Dieta do Paleolítico

Este regime alimentar consiste em ingerir apenas o que pode ser pescado, caçado ou recolhido (ovos, sementes, frutos secos), evidenciando um reforço claro de proteínas e uma ausência de hidratos. Trata-se, portanto, da reprodução de um regime alimentar que existia entre os nossos antecessores, antes do aparecimento da agricultura. Este regime alimentar exclui, por isso, tudo o que possa ser cultivado. Entre as vantagens conta-se a diminuição do risco de ataques cardíacos ou diabates e a promoção de uma alimentação livre de comida processada. Entre as desvantagens, elencam-se a falta de prova científica em matéria de benefícios para a saúde e também o preço, dependendo da qualidade dos produtos que se escolhem. Já para não falar dos nutrientes fundamentais que ficam excluídos deste regime alimentar como os legumes, obrigando ao recurso de suplementos. Em todo o caso e a título de curiosidade, foi a dieta mais procurada no Google em 2013.

Dieta de Atkins – nova versão

Se poupar nos hidratos, o corpo vai queimar a energia que tem em excesso? A resposta é sim de acordo com este regime alimentar, que sofreu recentemente algumas reformulações, todas elas em torno da diversificação dos nutrientes. O plano defende vários modelos de alimentação ao longo do tempo. Nas primeiras duas semanas, há uma aposta clara nas proteínas, sem restrição nas gorduras, mas no corte quase radical de hidratos, conduzindo a uma rápida perda de peso. Nas fases seguintes, é importante introduzir o exercício físico regular, possibilitando uma perda gradual de peso. É importante sublinhar que esta dieta é bastante semelhante à do paleolítico. Entre as vantagens, este regime promove a perda de peso rápida, excluindo alimentos como hidratos e álcool. A restrição alimentar pode, por contrário, promover sintomas como a insónia, náuseas e algum mal-estar. É, curiosamente, uma dieta que costuma recrutar muitos adeptos entre o sexo masculino, sobretudo por levar a uma perda de peso rápida, o que pode ser bastante motivador.

Dieta alcalina

Quando as celebridades se envolvem, as causas ganham outra projeção. É o caso deste modelo de perda e controlo do peso que conta com Gywneth Paltrow, Jennifer Aniston e Victoria Beckham entre as principais adeptas. Este regime defende que os hábitos alimentares modernos acarretam altos níveis de acidez para o corpo, o que se tarnsforma em gordura. Por isso, é preciso balancear esta realidade, crendo-se que, caso não seja feito, tal leve a problemas de saúde como a artrite, a osteoporose ou mesmo problemas de fígado e rins.

Assim sendo, é preciso cortar em carnes, em trigo, em açúcares refinados, produtos lácteos, café, álcool e comida processada. Ora, este regime far-se-á de vegetais e frutos em proporções variáveis e que podem chegar a 80% de vegetais e fruta e 20% de proteínas e cereais. Olhando para os alimentos que estão a ser cortados, não resta grande dúvida que se está perante uma dieta saudável, mas há nutrientes que desaparecem do consumo diário como, por exemplo, o cálcio, obrigando ao consumo de suplementos.

Flexiterianismo

Ser vegetariano e flexível. Sim, a aposta clara vai para o consumo de vegetais e frutas, mas sem esquecer a carne ou o peixe do plano alimentar. Recorre a estes alimentos, porém, em menor escala, suprimindo, ao mesmo tempo, algumas carências que o absoluto vegetarianismo possa provocar, como o baixo consumo de vitamina B12 ou Ómega3.

Dietas sem lactose e sem glúten

O desafio é encontrar produtos que não contenham glúten – uma proteína que está presente no trigo, centeio, cevada e em muitos alimentos como pães, biscoitos, massas, cereais em geral -, nem lactose, presente nos lacticínios e derivados. Ambos nutrientes podem provocar intolerância intestinal e doença, daí a sua supressão. Mas será que a eliminação leva mesmo ao emagrecimento? No caso do glúten, há quem o sustente porque, ao evitá-lo, estão a suprimir-se também os produtos mais calóricos que temos nas nossas despensas. Para mais, Miley Cyrus, Lady Gaga e Gisele Bündchen apresentaram-se como defensoras desta opção. No caso da lactose – e excluindo os casos de intolerância – há o risco de promover a osteoporose devido à falta de ingestão de produtos ricos em cálcio.

Dieta WeightWatchers

É o poder de Oprah Winfrey. A apresentadora norte-americana experimentou, gostou, investiu no capital da empresa e agora esta dieta é promovida um pouco por todo o mundo. Trata-se basicamente de um plano alimentar concentrado no controlo de calorias e que promete a perda de um quilo por semana. A dieta paga e sem alimentos proibidos segue um regime de pontos, calculado pela idade, sexo, peso e altura. Este regime promove o acompanhamento personlizado por parte de alguém que recorreu ao mesmo método de emagrecimento, bem como reuniões de gruipo, o que é muito motivacional. A prática de exercício físico não está excluido.

Detox

Uma liquidificadora e liberdade de imaginação para combinar frutas e todos os vegetais que possam existir no frigorífico. Preparados que, muitas vezes, podem incluir sementes como sésamo ou linhaça. Depois, o desafio é beber estes sumos detox durante o dia – não excluindo refeições ligeiras -, aliando a uma redução da ingestão de calorias. Entre as críticas feitas a esta opção alimentar está o facto de ela arriscar promover uma perda de massa muscular, levará à supressão de nutrientes como proteínas e gorduras e que são vitais para a saúde. Pode ainda trazer sintomas de cansaço ou de mal-disposição.

Dieta do pão

Parece um contrassenso, certo? Para a nutricionista israleita Olga Raz, tal não é assim. Na verdade, esta dieta assenta na certeza de que se se ingerir pão, aumenta-se a saciedade e o humor e reduz-se, a prazo, a vontade de comer doces e, assim, perder peso. A promessa é de um abate de nove quilos em oito semanas. O plano consiste em comer até ao máximo de 12 fatias de pão light por dia (racio para mulheres). Para os homens o valor estende-se a 16. A dieta prevê recheios preferencilmente ricos em proteínas como atum, frango, peru ou tofu. Os vegetais e fruta não conhecem restrições neste modelo que concede três refeições semanais.

Carnes vermelhas, frango ou peixe são permitidos em 3 refeições por semana. Além disso, 3 a 4 ovos por semana são também permitidos. A facilidade e o preço estão entre as vantagens deste regime, que pode, alertam os especialistas, provocar o efeito contrário em algumas pessoas.

 


O segredo de ser magra está na flora intestinal

As dietas não são, afinal, a solução para se atingir a elegância. É a composição da flora intestinal que determina o peso mais ou menos adequado de cada indivíduo. A descoberta, publicada na revista norte-americana Science, resulta de um estudo do Centro da Ciência do Genoma e Sistemas Biológicos da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington e comprova que os tipos de bactérias que existem nos intestinos influenciam a acumulação de gordura muito mais do que qualquer outro fator como, por exemplo, a alimentação.

Os investigadores injetaram em dois grupos de ratos, com a mesma origem e com a mesma dieta, bactérias provenientes da flora intestinal de pessoas obesas e provenientes da flora intestinal de pessoas magras. Em pouco tempo, os ratos que receberam as bactérias dos obesos começaram a engordar, o que significa que o metabolismo foi alterado, enquanto os outros animais mantiveram o peso.

Esta descoberta pode ser um novo ponto de partida para o tratamento da obesidade humana, através da transferência de bactérias da flora intestinal de indivíduos saudáveis para os que têm excesso de peso, ou simplesmente, de terapias e dietas personalizadas que promovam o desenvolvimento das bactérias dos magros em organismos gordos. CM

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