Grande Reportagem


Texto: Rita Machado | Fotografia: Filipe Antunes | Vídeo: Jorge Amaral

Boxe, muay thai, kickboxing e até MMA – há cada vez mais mulheres em Portugal que desferem golpes e que os recebem. Estes são desportos que até há pouco tempo eram considerados quase exclusivos para homens, mas as coisas estão a mudar. A vitória de Maria Lobo, no Campeonato Europeu de Muay Thai, mostra que as portuguesas estão em força nestes desportos de combate.

É princípio de todas estas modalidades que haja uma luta para a qual duas concorrentes estão preparadas. Num ringue ou numa jaula, duas atletas «jogam». Durante meses treinaram¬ se, com sessões bi¬diárias, alimentação especial e muitos golpes repetidos até à exaustão. O objetivo é conseguir a melhor estratégia para vencer a adversária e ganhar o combate. Recorrem às mesmas técnicas, estão sujeitas às mesmas regras. Há atletas, treinos e treinadores, dietas e pesagens rigorosas, juízes e sistema de pontuações.

Desportos violentos? Quem vê um combate pela primeira vez é levado a pensar que sim, mas quase todos os treinadores e atletas – até os que praticam as modalidades pela componente fitness, sem vontade de subir a um ringue – respondem que não, que treinaram e estão preparados para esse «jogo» de estratégia e força que é o combate, em que os golpes são desferidos com combinações rápidas, e em que a vitória vem em forma de contagem de pontos ou de knock out.

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As protagonistas desta história contam-nos na primeira pessoa a razão por terem escolhido um desporto de combate. Há que tenha começado pela autodefesa, há quem queira sobretudo superar-se e há quem encontre nestas modalidades exigentes uma forma de atingir o corpo perfeito. Veja o vídeo.

Abdicar para competir

Maria Salomé Lobo tem 29 anos. No dia 29 de outubro deste ano, a atleta venceu o combate com a russa Katerina Vandaryeva, no Campeonato Europeu de Muay Thai, na Croácia, trazendo uma medalha de ouro para Portugal. Na sequência dessa vitória, qualificou¬ se para os Mundiais de 2017. É um prémio que a enche de orgulho, sobretudo porque com ela estavam mais três atletas portugueses e todos trouxeram medalhas (mais duas de ouro e uma de bronze). Treinam juntos todos os dias na Dinamite Team, situada no bairro lisboeta de Alcântara, uma escola fundada por outra campeã mundial, Dina Pedro, que é também a treinadora de Maria Lobo.

Maria é das poucas mulheres em Portugal que tem um desporto de combate como profissão – a Federação Portuguesa de Kickboxing e Muay Thai regista apenas 900 atletas femininas, 20 por cento da totalidade dos atletas.

«Faço do muay thai a minha vida e carreira», diz Maria Lobo, apesar de ter uma licenciatura em design, uma área cuja criatividade arriscamos a dizer terá influência na sua imagem de marca: o cabelo de cor forte. Atualmente está cor¬ de¬ rosa, mas já foi azul, verde, lilás... A vida de atleta não é fácil. Obriga a cedências: «Há muitas coisas entre as quais temos de optar, cedências que temos de fazer, a nível pessoal e social, mas não me arrependo.» Pratica seriamente há sete anos, e começou, como quase todas as mulheres que encontrámos nesta reportagem, por acaso: «Os meus pais queriam que eu e os meus irmãos nos soubéssemos defender na escola e o muay thai era o desporto de combate que havia mais perto de nossa casa. A entrada no mundo da competição deu¬ se uns anos mais tarde. Sempre disse à minha mãe que só saberia se era realmente capaz de pôr em prática o que aprendia nos treinos se experimentasse combater. Sentia alguma curiosidade mas nunca encarei os combates como uma realidade, sempre pensava “se o mestre um dia propuser até experimento” mas nunca partiria de mim dar o primeiro passo. E um dia lá chegou a sugestão e respondi afirmativamente.» Daí a tornar¬ se atleta profissional, foram alguns passos. Maria tinha o gene da competição: «Sou muito competitiva e foi no muay thai que encontrei a escapatória para essa minha caraterística. Não falo apenas a nível da competição. Todos os dias tentava superar¬ me. Era uma luta interna e o desafio de me aperfeiçoar era aquilo que me fazia voltar no treino seguinte.»

Como é que é o dia¬ a¬ dia de uma campeã europeia? «A minha rotina consiste em dois treinos diários. Levanto¬ me às 6h para estar a treinar às 7h. O treino inicia¬ se com uma corrida de 30 minutos seguida da componente técnica e física. Normalmente dura duas horas, no fim das quais regresso a casa, almoço e descanso. À tarde a rotina repete¬ se, entre as 16h30 e as 18h30.» E para uma confessa apreciadora de Nutella, como é a dieta? «Varia muito entre os períodos de treino mais intenso e os de competição e há restrições que faço que são excessivas para quem não pratique este desporto. A dieta tem um objetivo: ter o máximo de rendimento nos treinos conseguindo baixar o peso para a nossa categoria de combate e logo de seguida recuperar o peso perdido o mais rápido e da melhor forma possível.»

Se dependesse de combates a nível nacional, nunca seria possível para Maria viver do muay thai em Portugal: «Consigo porque, apesar de viver e treinar neste país, toda a competição que faço decorre no estrangeiro. Infelizmente esta modalidade ainda está subdesenvolvida em Portugal, tanto a nível competitivo como a nível federativo. É graças à Dina Pedro e ao nível que já atingimos dentro desta modalidade que consigo combater tantas vezes no estrangeiro e colmatar essa lacuna.»

Nunca é tarde para regressar

Motivação. Não há como não nos sentirmos envergonhados pelas vezes que faltámos ao ginásio (ou nunca nos inscrevemos) quando ouvimos a história de duas atletas do boxe do Benfica que regressam aos treinos, após anos sem combater, cada uma pelas suas (muito diferentes) razões.

Encontramo¬las num pavilhão no Cacém, onde se fazem os treinos e, por vezes, galas de combate. Chegar aqui é como chegar ao cenário do filme Million Dollar Baby, o filme preferido de Lilibeth Oviedo. Um grande pavilhão, não muito novo, com máquinas de musculação e um grande espaço aberto, que nas laterais tem sacos de boxe de vários tamanhos e, no centro, um ringue. Lilibeth é venezuelana e a sua história é a de muitas outras emigrantes. A adaptação não foi fácil, surgiram problemas de integração, e consequentemente de auto¬estima. O boxe surgiu como uma tábua de salvação, após experimentar uma aula: «Eu sempre tive aquela atração pela tropa, por rapar o cabelo, pela JI Jane.» Hoje com 31 anos, começou na modalidade há onze e entrou na competição no circuito amador passado um ano. «Parei de fazer o boxe cinco anos seguidos, porque tive duas filhas com 18 meses de diferença, que têm agora 4 e 2 anos.» Apesar de ter dois empregos e ter entrado ainda pelo cake design para aumentar o orçamento mensal, está empenhada em regressar aos treinos – para os combates ainda não se decidiu. Tem conseguido treinar uma vez por semana, e já perdeu muitos dos trinta quilos que ganhou nas gravidezes.

Tânia Gomes, psicóloga clínica, relativamente à importância do desporto na auto¬estima feminina refere acreditar que «o desporto pode e deve ser visto como um prolongamento do eu, pois implica dedicação e entrega. Quando uma mulher escolhe uma actividade ligada ao uso da força e da defesa, pode ter inúmeras implicações. Acima de tudo estará a promover um maior auto¬ conhecimento e a permitir que se sinta capaz de lidar com novas situações. A questão da defesa pessoal pode ter diversas aplicações, desde mulheres que foram vítimas de violência, às que pretendem uma melhor relação com o corpo: desejam uma mudança da auto¬ imagem, uma equiparação do género».

Eunice Pitbull Miranda assume¬ se como a primeira atleta mulher profissional de boxe em Portugal. As suas origens são humildes e não as esconde. Ter pais Testemunhas de Jeová não a fez desistir do seu sonho. Ter tido de deixar de estudar aos 15 anos, por dificuldades financeiras, também não. Nem ter tido sido obrigada a manter vários empregos, trabalhar em restaurantes e cantar fado pela noite dentro. Nem uma lesão grave no joelho que a obrigou a parar nove anos (nos quais se dedicou ao culturismo) não a fez largar as luvas – tem¬nas tatuadas na mão esquerda. Juntou dinheiro, foi novamente operada ao joelho em fevereiro deste ano, e nesta cirurgia o diagnóstico confirmou o que sempre sentira: que a primeira intervenção não tinha ficado bem feita. Amarguras à parte, a sua história no boxe feminino em Portugal não fica por aqui e ela quer reiniciar a sua escrita. Mora no Algarve e treina todos os dias em casa, sob supervisão médica. Uma vez por mês, sempre que a disponibilidade e as finanças o permitem, vem ao Cacém, ter com o treinador Paulo Magalhães, para estar com o resto da equipa e fazer treinos mais exigentes. Já emagreceu quinze quilos, faltam¬lhe dez-doze, para voltar a poder competir no peso de há dez anos. Parecem apenas números, mas no boxe (como em todos os desportos de combate) fazem toda a diferença – uma atleta pode não poder fazer o combate por uns meros cem gramas.

«Vou fazer 40 anos e quero combater mais uma vez enquanto profissional, para provar a mim mesma que consigo. Se correr bem, continuo no boxe», diz Eunice. A agressividade de quando era miúda foi ficando nos ringues. Mas a determinação continua presente.

Sair da jaula

É preciso desmistificar as ideias feitas sobre o MMA. Combates internacionais e nomes sonantes vêm de imediato à memória quando falamos desta modalidade, por alguns vista como a mais violenta de todos os desportos de combate. Reúne técnicas de vários deles e até lhe chamam vale-tudo. Hoje, graças à regulamentação, está diferente. Diana Jardim Abecassis tem 36 anos e sempre gostou de desportos de combate. Via-os na televisão e no dia em que experimentou uma aula ficou viciada. «Fisicamente é extremamente exigente. Para além disso, envolve vários tipos de artes marciais o que torna esta prática bastante estimulante. Psicologicamente faz muito bem, requer respeito, foco, dedicação e disciplina.»

Juntamente com outros sócios, organiza uma das mais importantes competições no país, o IPC – International Pro Combat. «Competições de MMA em várias categorias de acordo com o peso dos atletas, em que normalmente se disputam os cinturões. As minhas funções no IPC estão essencialmente ligadas à organização do evento, à promoção e relações públicas», resume.
Este evento ainda não tem atletas femininas de MMA a participar, porque não há em Portugal o nível competitivo necessário. Mas é um sonho para algumas das primeiras praticantes da modalidade no país.

Na escola Evolve, do reconhecido atleta e treinador da modalidade Vítor Nóbrega, em Benfica, onde Diana também treina, encontramos Audrei Angelica, de 25 anos, sushiwoman, que nos confessa que tem bem definido o sonho de um dia combater. O que é que este desporto oferece a uma mulher? «Ego de lutador. Faz muito bem a um homem, a uma mulher então...» resume Audrei.

Num país de machos latinos, que comentários ouve Diana por ser uma mulher que dá o rosto por um desporto tão agressivo? «Já ouvi mais. Felizmente as pessoas começam a ter outra opinião e a entender um pouco o MMA e a respeitar a modalidade. Mas continuam a achar ‘engraçado’ eu ser mulher e estar envolvida neste projeto.» No início de 2017, teremos mais uma gala IPC, iremos ver pela primeira vez mulheres a combater? Diana não descarta a possibilidade e garante que tem como objetivo ver um dia «cinquenta por cento da plateia ser composta por mulheres».

Reinserção social aos pontapés


Ameixoeira. Perto do aeroporto de Lisboa, não longe da meca do consumo que é o Centro Comercial Colombo. Este é um bairro de realojamento social onde brancos, ciganos e negros vivem. Sobrevivem. Aqui, no ginásio da Escola EB1 das Galinheiras, há um projeto que tem como objetivo tirar as crianças das ruas, dar¬lhes boas referências, ensinar¬ lhes regras e ajudᬠlas através do desporto a quebrar comportamentos que, com grande probabilidade, as levariam por caminhos de delinquência. «Acreditamos que esta comunidade pode ser agente do seu próprio desenvolvimento», diz¬nos Ana Ngom, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que apoia o projeto desde o início. A escola de kickboxing é uma ideia de Miguel Reis, conhecido por Índio nome que ganhou nos ringues nacionais.

Dos 6 aos 18 anos todos são bem-vindos à Indio’s Fight School – Luta por Valores, desde que cumpram as regras. Miguel acompanha os alunos, falando diretamente com os pais (que recomenda que acompanhem os treinos) e até com os professores. «Se sei que algum deles faltou às aulas ou esteve a fumar, no próximo treino dou¬ lhes um castigo ou uma reprimenda», e só volta a treinar se se portar bem. «Eu sei o que é necessário para desviar os miúdos da má vida, a minha própria história ajuda¬ me nisso.»

Mariana Vieira tem 15 anos e já treina na Indio's há três, atualmente é até uma das treinadoras adjuntas de Miguel. Quando fez o primeiro treino, adorou: «Gostei muito, é uma hora e meia que nos alivia o stress de tudo, da rua, da vida, da escola.» Efeitos positivos? «Sim, comecei logo a sentir¬me mais confiante e segura. Também emagreci.» A mãe, Clara Vieira, junta¬se à conversa, e conta¬ nos como Mariana, após começar os treinos baixou as notas. Seguiu¬ se um alerta: «Disse¬ lhe: “A única coisa que mudou foi o kickboxing, se não melhorares as notas não vens mais.” Foi o suficiente, no teste de Matemática a seguir tirou quase cem por cento.»

As Rodrigues, Bia de 11 anos, Leonor de 9 e Maria de 8, são três de sete irmãos (cinco raparigas e dois rapazes). Na Indio’s encontram «regras. Aprendemos respeito, humildade. A respeitar os outros, a conviver em grupo. E regras», repetem. Veem¬se bem «as regras» em ação, quando Miguel as chama para nos mostrar como fazem os golpes de forma técnica, assim como sobressai o orgulho que têm em frequentar esta escola. Concentradas, nem olham para a jornalista ou a câmara. Ouvem apenas a voz do treinador e obedecem sem pestanejar.

Tânia Gomes, psicóloga clínica, que trabalha com grupos de risco e adição, corrobora esta ideia: «O desporto pode constituir um fator de proteção da delinquência juvenil, promovendo um impacto positivo a vários níveis, nomeadamente ao nível pessoal, familiar, social e escolar. A atividade desportiva desenvolve potencialidades físicas e psicológicas, que contribuem para o desenvolvimento global das crianças e dos jovens. O desporto pode ser visto como um espaço privilegiado capaz de fomentar hábitos saudáveis, competências sociais, regras e limites, e inúmeros princípios e valores morais. Deste modo, pode promover o aumento de autoestima e do controlo individual, bem como aquisição de disciplina, o trabalho em equipa, a socialização, a liderança e essencialmente a integração. É de realçar que muitas destas crianças e jovens crescem em ambientes sociais mais desfavorecidos com grande ausência de valores morais e sem grande capacidade de distinguir o certo e o errado. O desporto pode constituir um pilar na formação da personalidade e identidade e promover um estilo de vida saudável (físico e psíquico).»

Miguel Reis acredita – e é para isso que trabalha – que da Indio’s Fight School podem sair talentos para os desportos de combate em Portugal – e entre eles raparigas, claramente. E é também para isto que Joana Santos, a ‘madrinha’ da escola, trabalha, ao divulgar no Facebook as atividades desta como uma causa social.

Academia de anjos


A Kol Machine é provavelmente a primeira academia de desportos de combate. Inaugurou há apenas um ano e meio. Carolina Patrocínio é um dos rostos mediáticos que aqui treina kickboxing, em aulas particulares com Pedro Kol, um dos sócios e que em 2015 foi campeão mundial da modalidade. Ela própria explica o que a motiva neste desporto, que pratica uma vez por semana, a par com todo o outro treino diário que faz: «É um cocktail ao nível de exigência física, concentração e ginástica mental que é muito difícil encontrar noutras modalidades. Encontrei aqui o que chamo treino lúdico.»

Pedro Kol explica que viu uma oportunidade, pois não havia nenhum local com condições de excelência onde se praticasse desportos de combate no centro da cidade. Por isso construiu um mapa de aulas para todos: dos iniciados aos avançados no kickboxing, passando pelo boxe, pelo MMA, pelo ashtanga yoga e terminando numa aula só para raparigas: a Kol Angels. «Surgiu porque percebi que há mulheres que preferem treinar numa aula exclusivamente feminina. Para além de aprenderem técnicas de combate, fazem uma grande parte de condicionamento, de glúteos e de pernas.»

Quem leciona esta aula é Inês Abrantes, ex¬campeã nacional de kickboxing, que bem que podia ser um anjo ao lado dos muitos da Victoria’s Secret, marca de lingerie que inspirou o nome da aula. Todos os anos, a marca obriga as suas as suas top models (a que chama Angels) a treinos intensos durante o mês que antecede o desfile, treinos com técnicas de kickboxing.

O combate no feminino e as aulas que misturam técnicas dos desportos de combate vieram para ficar. Por competição, diversão ou para ter um corpo bem definido. A quem nunca experimentou, aconselhamos: procure um bom professor (como em tudo o que está na moda, há muita gente a vender ‘gato por lebre’ e já que vai aprender faça¬o da forma correta). Vá experimentar umas aulas. «Este desporto gira em volta do espetáculo e o que o público gosta e paga para ver são combates aguerridos onde se defrontam a capacidade física, técnica e força de vontade de ambos os lutadores», resume Maria Salomé Lobo. Também é preciso público, por isso, a seguir a experimentar as aulas, pegue numas amigas e vá ver um combate. Girls fight night out?

O que são estes desportos de combate


Boxe

Usam¬se apenas os punhos. No site do Comité Olímpíco lê¬se: «Os primeiros registos da prática de boxe são no Egito em 3000 d.C.» O primeiro campeão olímpico foi Onomastos Smyrnaios em 688 d.C. O primeiro registo de um combate em Inglaterra é de 1681. Em 1743, Jack Broughton desenvolveu o primeiro conjunto de regras. Em 1867, começou boxe moderno. Em 2012, o boxe feminino entrou nos Jogos Olímpidos de Londres. Venceram nas categorias existentes: Nicola Adams da Gr㬠Bretanha (peso mosca); Katie Taylor da Irlanda (peso leve); Claressa Shields dos EUA (peso médio).


Kickboxing

Usam¬se punhos e pernas. Há várias derivações da modalidade: K¬1, full contact, semi contact, light contact, light kick, low kick, aero kick. A Federação Portuguesa de Kickboxing e Muay Thai define K¬1: «Não é permitido parar agarrar a perna e golpear, ao mesmo tempo, o clinch [um atleta agarra e golpeia o outro] inferior a cinco segundos é permitido para segurar o pescoço do adversário com ambas as mãos, com a finalidade de atacar somente com o joelho, onde só é permitido um golpe no joelho por clinch. As técnicas atingindo alvos legais, como perna, joelho têm o mesmo valor para os juízes.»


Muay thai

Usam¬se punhos, pernas e cotovelos. O ritual também é importante: antes do combate os atletas executam o wai kru (demonstração de respeito e gratidão ao mestre), acompanhado por música de tradicional tailandesa. A Federação Portuguesa de Kickboxing e Muay Thai resume: «Muay thai é o nome da arte marcial tailandesa que se distingue do kickboxing por permitir o ataque, não só com técnicas de punhos e pernas, mas também de joelhos e cotovelos. É referenciado como “a ciência dos oito limbos” pelo uso extensivo das mãos, tíbias, cotovelos e joelhos nesta arte marcial.»


MMA

Mistura vários desportos de combate e artes marciais, daí o nome mixed martial arts. No site da Comissão Atlética Portuguesa de Mixed Martial Arts encontramos um resumo da modalidade: «A primeira versão do tipo de MMA que vemos hoje surgiu no início de 1990, com jogos com profissionais de diferentes disciplinas, como karaté, boxe, wrestling. Buscou¬se identificar o estilo mais eficaz de arte marcial. Em 1990, o promotor americano Ultimate Fighting Championship (UFC) adoptou as regras da Comissão Atlética de New Jersey, e assim veio a ser estabelecido no MMA.»